Prefácio
Não passe direto. Foi escrito para ser lido.
Não passe direto. Foi escrito para ser lido.
Perdoe pela grosseria do subtítulo deste prefácio. Foi feita uma pesquisa e pude descobrir que a maioria das pessoas pula, sem pestanejar, o prefácio (nota do autor, prólogo ou qualquer coisa parecida) dos livros em geral. Na verdade, não pretendia escrever essas palavras, achava meio sem necessidade. Até que algumas pessoas (as que eu estava mostrando os textos) começaram a me fazer perguntas (na minha opinião, ridículas) sobre algumas coisas a respeito das histórias. Tudo começou quando eu resolvi escrever em primeira pessoa. Quando os escritores escrevem em primeira pessoa, não tente entender, é somente um texto escrito em primeira pessoa. Eu não pratiquei os atos que o personagem praticou. Para fazê-los entender melhor (ou menos ainda), escreverei o próximo parágrafo em terceira pessoa, apesar de ser, desta vez sim, eu mesmo quem está falando. Sem dúvidas, essas dúvidas surgiram na cabeça dos meus amigos exatamente por serem meus amigos, por me conhecerem. O narrador das histórias tem uma vida semelhante a minha.
André Dale, o autor deste livro, é um jovem escritor, de uma desenvoltura magnífica, que gosta muito de escrever em primeira pessoa. O personagem narrador deste conjunto de crônicas fictícias (ou simplesmente contos), da mesma forma que André (uma incrível personalidade), está vivendo sua adolescência, ambos estão passando por seus dezessete anos. Diferente do personagem, o autor desta coletânea diz não ser tão da maneira que o personagem da coletânea é. Em vários aspectos suas vidas se parecem, mas, por exemplo, André, diferente do narrador, não põe mostarda em seu cachorro quente. Ele diz achar muito picante. Um aspecto interessante na vida de ambos é o fato de morarem no mesmo bairro, o Leblon.
Na verdade, quando comecei a escrever, já sabia que a história se passaria no Leblon, mas, só depois resolvi que ele moraria no mesmo apartamento que eu morei dos meus dez aos quatorze anos. Talvez isso tenha sido uma falha no desenvolver da história, a partir do momento que o leitor não é obrigado a conhecer o bairro tão bem quanto quem mora nele. Após refletir um pouco, achei que valeria a pena mostrar, aqui neste prefácio, um mapa do local.
As letras estão um pouco fracas, mas não é culpa minha. Peguei este mapa na Internet, era anúncio de uma livraria que fica muito próxima àquele ponto preto ali. Este ponto preto representa a minha casa, ou casa do narrador-personagem do livro. É um local muito agradável, apesar de ser perto daquele lugar ali, onde, no paint-brush, eu usei a técnica do spray. O spray representa o cocô. Este é o canal do Leblon. É uma mistura do solvente água com o soluto bosta que gera uma solução de mais de três quarteirões. É para este local que a descarga do bairro é enviada. Quando chove fede, mas é bonitinho para ser visto de longe. Marquei um xis em um lugar, a esquina da Rua General Artigas (rua da minha casa) com a Rua Ataulfo de Paiva (rua principal). Nesse xis está localizada a Padaria Rio Lisboa, lugar onde tem o melhor café da manhã, talvez até, do Rio de Janeiro. Achei interessante contar isso.
As setas vermelhas não têm relação entre si. A seta mal feita, a de cima, representa uma rua que, na minha opinião (mas não na opinião do responsável pelo marketing da livraria), é muito importante. Quase resolvi não utilizar o mapa quando percebi que o nome desta rua não estava lá, mas o mapa era tão bem feito que eu achei que, desenhando uma linha colorida e explicando o que ela queria dizer, tudo daria certo. Rua Humberto de Campos. A seta aponta para o sentido dos carros. A outra seta, a bonitinha, está ali só para mostrar onde está a praia. Siga a seta e chegue no mar.
Pronto, explicado. Qualquer dúvida com relação a este pedaço do bairro, venha ao prefácio. O resto do bairro eu não coloquei porque o mapa iria ficar grande demais. Desnecessário.
Tem outra coisa importante a ser dita. Algumas vezes, ao longo do livro, você lerá a palavra crachá. Eu acho interessante que o leitor possa entender exatamente como era o crachá que eu pretendia representar. Se surgir a dúvida com relação a este objeto, venha ao prefácio. Não visualize, jamais, nada muito elaborado. Este desenho representado ao lado mostra muito bem o crachá da história. Um crachá simples, coisa humilde.
Obrigado pela paciência e compreensão ao tirá-lo completamente da sua rotina de leitura e te obrigar, através do uso de palavras autoritárias, a ler estas linhas mal redigidas. Espero que o resto seja um pouco mais divertido. Boa Leitura.
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